terça-feira, 24 de março de 2026

Cultos Tupis


Na vida limitada de um garoto de rua, que pouco tinha, vinha crescendo uma riqueza de universos criativos. Esta é a história de Mingo! Um lindo menino de rosto marrom, olhos azuis e boné com pena.

Mingo era mais rico que os ricos — não por bens, mas por imaginação (será mesmo imaginação?). 


Em seus sonhos desfilavam os Tupi Rerecoara, Mani, capivaras e indígenas canibais, juntamente com uma miríade de outros personagens, todos em tramas detalhadas que contrastavam fortemente com sua realidade. Quando acordava, não tinha dinheiro nem para um pacote de biscoitos.

Mingo sempre soube que era especial. Seu maior desejo era conhecer a mãe, que lhe aparecia todas as noites em sonho — não com rosto ou corpo, mas como uma voz doce que o guiava até um templo sagrado. Lá, sentavam-se as estátuas de Mani, Nhanderuçu e Sumé, figuras que sua mãe lhe apresentava, embora não parecessem pertencer ao seu mundo.

Dormia no lugar onde se sentia mais protegido, num vão entre as cabeças dos mestres do monumento às bandeiras do Ibirapuera; deu um nome a cada uma das estátuas.

Em seu mundo eles o guardavam e vigiavam.


No entanto, Mingo queria mais — muito mais.

Mingo tinha como único pertence um pequeno carro de madeira, que usava como cofre para guardar o dinheiro que ganhava. Nunca pediu, jamais roubou. Mingo conquistava suas moedas vendendo brinquedos que ele mesmo criava com madeira e restos urbanos.

A história de Mingo está prestes a mudar...

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